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    Acadêmico: O Poeta do Hediondo

    Trabalho de conclusão do curso de Design Digital.

    Trabalho desenvolvido por José Roberto N. Junior e Maiara Lucas, orientado por Jorgson Smith.

    Em resumo, o projeto tem como objetivo alcançar a imersão do usuário em 3DOF, libertando-o dos periféricos mouse e teclado e trabalhando percepções sensoriais para atingir o nível desejado. A interface exibe imagens de elementos traduzidos das obras literárias do poeta para o formato de imagens, composições e sons. Por meio de movimentos à frente da webcam e frequência de utilização do microfone, o usuário controla a interface, visualizando as poesias.

    A linguagem visual adotada é baseada na linguagem utilizada pelo poeta Brasileiro Augusto dos Anjos em suas obras. Em suas poesias, utiliza palavras e composições que em um primeiro contato transmitem sensação de desagrado e agressividade, mas em uma análise da poesia completa, é transmitida a mensagem real de carinho, dedicação e afins. Para utilizar estas características na linguagem visual, foi adotada a referência nas obras de Francis Bacon para a composição das formas agressivas e de ambientes não acolhedores que transmitem solidão, agonia, abandono e sensação de desagrado. A composição visual juntamente com os sons ambiente e eventos sonoros das interferências de animações tornam o ambiente atraente de uma maneira não convencional, pois utiliza os elementos que normalmente as pessoas evitariam.

    Este ambiente digital em conjunto com a nova modalidade de usabilidade para manipulação da interface por meio de uma webcam e microfone cria o cenário ideal para um maior nível de imersão digital no ambiente e sensação de liberdade, atingindo o nível de 3DOF (Tradução literal de “Graus de Liberdade” do Inglês “Degrees of Freedom”. Indica o nível de possibilidades de se manipular um dispositivo ou interface).

    Etapas de desenvolvimento: Pesquisa e documentação

    Download do relatório completo e pesquisa para entender o desenvolvimento.


    Roughs e estudos de desenvolvimento

    Antes do desenvolvimento da composição visual, passamos alguns meses estudando e realizando testes de possibilidades de interação com a interface utilizando web cam e microfone.


    Desenvolvimento: Introdução - Poesia: O poeta do hediondo

    O poema utilizado na introdução é "O Poeta do Hediondo", que dá nome ao projeto. A ilustração demonstra desordem com formas e cores agressivas ao primeiro olhar, porém se torna organizada em uma seqüência exata de cópias da forma com variações de cor gradualmente convertendo do vede ao vermelho. Esta composição simula a "desordem" matemática fractal obtida por uma seqüência de regras lógicas. A animação é executada em sincronia com o som de Alien Sex Fiend.


    Tela Inicial - Poesia: Mágoas

    A entrada de um cemitério, ambientação com características fúnebres que despertam os sentidos do usuário. Apresenta o identificador da intensidade de movimentos e alcance do som para que o usuário entenda como é identificado o movimento. A tela dá acesso à primeira apresentação da cronologia e aos créditos.

    A composição do céu, cores utilizadas e a exibição de grande número de elementos do layout com características fotográficas diminuem a cada tela acessada e ao fim da apresentação são exibidos os mesmos elementos contidos nesta, transmitindo a sensação de retorno e demonstrando que no fim, ao apresentar a morte do poeta, o mesmo está enterrado no cemitério ao fundo, já visualizado no início.

    Nesta etapa, o usuário deve acionar um dos círculos verdes na parte inferior que representam por meio da posição os elementos da interface: baú, para acesso ao projeto e o pneu que dá acesso aos créditos.


    1884: Nascimento - Poesia: Psicologia de um Vencido

    A poesia compara a vida do poeta com situações desagradáveis e cita a “influência má dos signos do zodíaco” para justificar a quantidade de situações desagradáveis ocorridas durante sua vida. A tela utiliza os signos do zodíaco e a cada dois círculos - que representam os signos apresentados - acionados é exibida uma parte da poesia e o signo é iluminado. Ao iluminar todos os signos, desaparecem um a um e o usuário é levado à próxima tela. Esta fase ainda apresenta diversos elementos gráficos com nível maior de detalhes do que as demais, pois ainda não foi atingido o nível desejado de imersão.


    1904: Augusto dos Anjos Publica no jornal "O Commercio" o célebre soneto "Vandalismo" - Poesia: Vandalismo

    Os elementos da interface remetem a infância para referência à primeira poesia de Augusto dos Anjos, lançada ainda na sua adolescência. No “portal” são exibidas imagens como lembranças e de forma randômica surge no portal a imagem do usuário com um rastro azul luminoso intercalando com a imagem de um homem solitário. Os círculos apresentados na área de controle representam os elementos da interface e conforme o usuário aciona, uma estrofe da poesia é exibida e é trocada a imagem do portal por seqüências diferentes de partes de vídeos que representam revolta e solidão.

    Nesta fase, é possível notar a diminuição gradual de elementos fotográficos pois inicia-se o processo de imersão no ambiente.


    1904/1905 – Obras dedicadas ao pai - Poesias: “Ao pai doente” e “Ao pai morto”

    Nesta fase o usuário utiliza o alcance do som para controle da interface. A seção apresenta um som de fundo para induzir o usuário a utilizar o microfone, contendo sons de pessoas gritando. É apresentada uma mão de adulto (pai) subindo e mãos de criança agarradas a ela na tentativa de puxá-la para baixo. Conforme o usuário “grita”, as árvores exibidas no fundo se mostram distorcidas para demonstrar a identificação do som e a mão começa a descer, simulando a força exercida pelas mãos de criança para trazer de volta o pai. Uma barra de acúmulo do som representa o momento onde o usuário pode parar de emitir os sons e visualizar uma estrofe da poesia.

    Ao término da poesia “Ao pai doente”, a mão torna-se vermelha indicando a morte do pai e a poesia “Ao pai morto” é iniciada. A música utilizada se chama “Frontier”, do alemão “Fronteira” e trata da transição (fronteira) entre a vida e a morte. Esta fase já não apresenta a coerência fotográfica nos objetos da composição.


    1910 - Poesia: Versos Íntimos

    Esta fase apresenta uma redução mais perceptível de elementos da interface, pois já está sendo atingido o nível de imersão desejado. Os elementos gráficos representam o interior de uma mulher para referência à poesia que trata da “verdade” sobre o ser humano. Na poesia, o autor trata do comportamento do ser humano com suas frases mais conhecidas: “A mão que afaga é a mesma que apedreja” e “O beijo, amigo, é a véspera do escarro”. Estes contrastes são apresentados na linguagem visual por meio dos elementos do layout.

    Nesta etapa existe apenas um círculo para o usuário acionar e ao acioná-lo, os elementos do layout se distanciam, a figura do intestino com a boca se posicionam à frente do rosto de uma mulher com uma máscara e as estrofes são apresentadas.


    1911 – Nasce morto seu primeiro filho. Morto. - Poesia: Ao meu primeiro filho nascido morto

    Esta fase representa o nascimento do primeiro filho do poeta que nasceu morto. A interface apresenta duas mãos transmitindo a simulação de batimentos cardíacos. Para acionar as transições das frases o usuário deve posicionar suas mãos frente à câmera simulando a posição das mãos exibidas no layout, acionando os dois círculos simultaneamente.


    1914 – Augusto dos Anjos morre em 12 de novembro. - Poesia: Solitário

    A última fase apresenta o maior nível de imersão e interação da experiência, formatando a utilização do projeto com o nível de imersão desejado: 3DOF. Nesta fase, o usuário se depara com a simulação de estar dentro de um caixão. Para avançar e visualizar as frases do poema “Solitário” deve gritar atingindo o nível 100 do alcance do som e de movimentação com movimentos bruscos frente à câmera. Atingindo os dois níveis máximos de controle, as madeiras começam a “tremer” e se distanciam, exibindo uma camada de terra que “cai” sobre a tela. Continuando com a movimentação e os gritos, o usuário conseguirá “abrir” um buraco na terra e visualizará as últimas frases da poesia que representa a solidão.

    Neste momento, é exibido o céu com tons avermelhados, o poste do início e o som de fundo apresentado no início do projeto, transmitindo a sensação de retorno ao ambiente apresentado inicialmente.

    Neste momento os créditos do trabalho são exibidos e o projeto retorna à tela inicial.